‘O muro engoliu a área onde a gente trabalhava’: avanço do turismo ameaça pescadores em AL

"Eu nasci aqui. No meu tempo de menino, o que a gente via na beira da praia eram as casas dos próprios pescadores, a colônia, o povo da terra. Não existia essa força de parede alta, de cercado tirando o nosso espaço”, relata o pescador Seu Pedro, de 63 anos. Nascido em Porto de Pedras, município localizado a cerca de 110 quilômetros de Maceió e integrante da Rota Ecológica dos Milagres, o trabalhador do mar acompanhou as transformações da cidade ao longo das últimas décadas.Segundo o pescador qu...

Plano Diretor propõe parque e agrofloresta em área afundada; especialistas alertam para falta de dados e incertezas

A criação de um parque público e a implantação de uma agrofloresta estão entre as principais propostas da Prefeitura de Maceió para reconfigurar a área atingida pelo crime ambiental associado à exploração de salgema pela Braskem. Após cerca de quatro décadas de atividade mineradora, o afundamento do solo forçou, desde 2018, a retirada de aproximadamente 60 mil moradores de cerca de 15 mil imóveis em cinco bairros da capital alagoana. É nesse cenário que a nova minuta do Plano Diretor foi apresen...

A cada 10 casos de crianças ou adolescentes negras estupradas em AL, 6 foram dentro de suas casas

Quem acompanha o noticiário local percebe os inúmeros casos de estupro, todos os dias, com grande parte das vítimas sendo crianças ou adolescentes. Essa é uma realidade alarmante que assola Alagoas, assim como o caso de um homem, de 39 anos, preso no último dia 9 de julho, suspeito de estuprar a própria sobrinha de apenas nove, no município de Água Branca, região do sertão do Estado.  A delegada Daniella Andrade, da Delegacia Regional de Santana do Ipanema, da Polícia Civil de Alagoas (PCAL), in...

Em Maceió, vítimas da Braskem relatam tristeza e medo de perder casas - Estadão Expresso

Como Sônia, que divide o espaço pequeno e de um único vão com o marido Cícero Pereira da Silva, 38, e três filhos, outros moradores também relatam que não têm clima para as comemorações do fim de ano diante das incertezas e do medo de perder suas casas. Ela diz que não está recebendo suporte para o fim de ano, nem da empresa e nem da Prefeitura de Maceió. “Ninguém vem aqui dar uma palavra de conforto, nem nada, entendeu? Nem reportagem está vindo mais.” A também dona de Casa Maria Bethânia da S

Os efeitos do crime ambiental da Braskem na educação de Maceió

Quem olha o cenário atual da Escola Municipal Radialista Edécio Lopes, no Pinheiro, bairro da capital alagoana, já não consegue se lembrar do tempo em que aquele espaço era dedicado a construir o futuro. O silêncio agora é o único som no local. Não há mais teto. Mato e entulho dominam o chão. As paredes, antes com cartazes que mostravam as atividades dos estudantes, estão tomadas por infiltrações e pelo lodo. O lugar que por tanto tempo foi referência para o bairro hoje afunda. O clima de incer

Ex-cotistas, advogados negros driblam exclusão e ocupam do STF ao CNJ

A advogada Allyne Andrade, 36, atuou na inclusão de ações afirmativas no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Irapuã Santana, 35, foi assessor no STF (Supremo Tribunal Federal) e hoje preside a Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP. Já a advogada Karla Meura, 40, foi a primeira mulher negra eleita conselheira seccional da OAB no Rio Grande do Sul. Além da profissão, todos eles têm em comum a forma como chegaram à universidade: as cotas raciais. Integrantes de um segmento excludente, já que só 1

Crime ambiental da Braskem força o deslocamento de crianças em Maceió

Quando os primeiros tremores de terra foram registrados, em 2018, Alice, 10, morava com a tia Maíra Silva, 44, no Pinheiro, um dos bairros de Maceió (AL) afetados pela mineração da Braskem. Entre seu repertório de lembranças do lugar cheio de afeto antes do deslocamento forçado, ela sente falta dos colegas da escola próxima de casa, da antiga professora e dos amigos do bairro onde vivia, que, de repente, se transformou em escombros. “Na escola era onde a gente queria estar todos os dias, assist

Negros presos com drogas são mais enquadrados por tráfico que brancos em AL

Negros presos com drogas são mais classificados por tráfico do que porte de drogas para uso pessoal, em comparação a brancos em Alagoas. Só para se ter uma ideia, dos 9.934 suspeitos da raça negra (soma de pretos e pardos, de acordo com classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE) presos por tráfico, a Polícia Civil de Alagoas (PC-AL), classifica apenas 15.96% como consumo próprio. Já dos 1.894 brancos presos por tráfico, 22% são classificados como de uso pessoal. A

Casa escavada com colher de pedreiro por idosas segue assombrando vizinhos

Quem passa pela rua A Dezesseis, no Benedito Bentes, bairro da periferia de Maceió, não consegue imaginar que um dos imóveis guarda uma história intrigante, digna de um enredo do escritor norte-americano Stephen King. Uma casa de esquina, muro alto, cimentado. Duas idosas, as irmãs: Maria Rita e Maria José, idades não informadas, que têm problemas psiquiátricos, como se tivessem algum conhecimento técnico de engenharia, escavaram com precisão durante 8 anos — usando apenas uma colher de pedreiro

'A Jamaica é aqui': em Maceió, casa de radialista é memorial a Bob Marley

Uma casa sem muro, com alto-falantes, bandeiras dos países da África em vinil, telhas nas cores do reggae, pintadas de 50 em 50 unidades quando os filhos ainda eram crianças. Coroas de bicicleta acopladas a uma cerca estampadas com os nomes de Malcolm X, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Marcus Garvey, Desmond Tutu, Madre Tereza de Calcutá, além de frases como "Jah Live", "Jah Bless" e "Respeite para ser respeitado". Era um sábado ensolarado, perto das 10h30 da manhã, quando José Maria Ferreira B